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Dê Mais Saúde à Sua Vida! Recomendações da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna sobre Prevenção (SPMI)
Author(s) -
Luís Campos
Publication year - 2017
Publication title -
medicina interna
Language(s) - Portuguese
Resource type - Journals
eISSN - 2183-9980
pISSN - 0872-671X
DOI - 10.24950/rspmi/pp/2017
Subject(s) - philosophy , medicine , humanities
Em Portugal existe uma chocante desproporção entre o investimento nos cuidados de saúde e na prevenção das doenças e promoção da saúde, apesar de se saber que os cuidados de saúde apenas determinam 10% a 20% da saúde das pessoas, enquanto os comportamentos de risco determinam cerca de 40%, seguidos pelos fatores socioeconómicos, os ambientais e os genéticos. Estes fatores explicam grande parte da iniquidade no nível de saúde entre países, grupos populacionais com diferentes níveis económicos e de escolaridade, etnias, géneros e outras. Por exemplo, o número médio de anos de vida saudável das mulheres em Portugal, após os 65 anos, é de cerca de seis anos, enquanto na Suécia são 17 anos, também em Portugal a taxa de mortalidade dos trabalhadores por conta de outrem é sete vezes maior do que a dos empregadores, a prevalência da obesidade nas pessoas de nível de escolaridade baixo é de 38,5% enquanto nas pessoas com nível superior é de 13,2%. Em Portugal os comportamentos de risco não assumem gravidades semelhantes. Em relação aos hábitos tabágicos temos baixado significativamente nos últimos anos a percentagem de fumadores e já estamos a um nível inferior à média europeia. Também, no consumo de álcool, temos melhorado e estamos ao nível da média da Europa, no entanto o mesmo não se poderá dizer em relação à atividade física e à alimentação. Apenas cerca de 40% dos adultos tem atividade física regular, o que nos situa abaixo da média europeia e o mesmo se passa com as nossas crianças. Em relação à alimentação apenas um em cada dois portugueses consome a quantidade diária de fruta e produtos hortícolas recomendados pela Organização Mundial de Saúde (OMS), enquanto consumimos três vezes mais produtos de origem animal do que o recomendado. Em relação ao consumo de açúcar ingerimos quase quatro vezes mais açúcar (90 g diários) do que o limite superior recomendado pela OMS (25 g), e este é um hábito que abrange quase toda a população. Outro problema é o consumo do sal que é excessivo em mais de 80% da população. Estes comportamentos de risco são, a par do aumento da esperança de vida, os fatores mais importantes para o crescimento das doenças crónicas, fazendo com que mais de um terço da nossa população seja hipertensa, cerca de 13% diabética, tenhamos uma mortalidade por acidente vascular cerebral (AVC) cerca de uma vez e meia superior à média da Europa e seis em cada dez adultos tenha sobrecarga ponderal ou obesidade, sendo que nos idosos é ainda grave: oito em cada dez. A nossa população está a viver mais mas cada vez pior! Nós, internistas, tratamos muitos doentes crónicos, nas urgências, nas nossas enfermarias, nas unidades, nas consultas, nos hospitais de dia, onde testemunhamos as dramáticas consequências que estas doenças acarretam aos doentes, às famílias, aos cuidadores e à sociedade em geral. Nestes vários ambientes tentamos mudar comportamentos de risco, no entanto nunca aparecemos como protagonistas a nível público, associados à prevenção da doenças e promoção da saúde, deixando esse papel para especialistas de órgãos de ou sistemas ou outras profissões. Sabendo que, segundo um relatório da Organização Mundial de Saúde, 80% dos casos de diabetes, de doença coronária, de acidente vascular cerebral e 40% dos casos de cancro podiam ser prevenidos por uma alimentação saudável, pela atividade física regular e pelo abandono do tabaco, torna-se uma obrigação ética não só melhorarmos a nossa atuação na modificação de comportamentos de risco junto dos nossos doentes, em todas as oportunidades que tivermos, mas também envolvermo-nos mais neste desafio difícil que é mudar comportamentos e estimular estilos de vida saudáveis. Foi para assinalar o compromisso da Medicina Interna portuguesa com a prevenção que a SPMI organizou no fim-de-semana de 8 e 9 de julho, nos Jardins de Belém, em Lisboa, a Festa da Saúde. Neste evento conseguimos juntar, distribuídos por 39

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