Carreira nas organizações: Revisão da produção brasileira no âmbito do microcomportamento organizacional
Author(s) -
Vinicius Carvalho de Vasconcellos,
Jairo Eduardo BorgesAndrade,
Juliana Barreiros Porto,
Ana Márcia de Oliveira Fonseca
Publication year - 2016
Publication title -
revista psicologia organizações e trabalho
Language(s) - Portuguese
Resource type - Journals
ISSN - 1984-6657
DOI - 10.17652/rpot/2016.1.375
Subject(s) - political science
Vasconcellos, Borges-Andrade, Porto & Fonseca 74 Rev. Psicol., Organ. Trab., jan-mar 2016, vol. 16 num 1., pp.73-87 Esta revisión analiza, de forma sistemática, artículos sobre la carrera desde la perspectiva del microcomportamiento organizacional. La investigación se ha centrado en artículos basados en investigaciones empíricas y publicados hasta junio de 2012 en las bases de datos SciELO Brasil y PePSIC. Fueron utilizados aproximadamente dos docenas de términos de búsqueda para la recuperación de artículos, como carrera y trayectoria profesional. La aplicación de estos criterios ha generado un conjunto de 60 artículos que fueron analizados con los procedimientos utilizados en tres revisiones anteriores en el ámbito del microcomportamiento organizacional. Así, las categorías temáticas de carrera presentes en los artículos y datos sobre la autoría, año y vehículo publicación fueron investigados. Varios elementos sobre el método utilizado, como herramientas y muestras, también fueron analizados. Los resultados señalan la formación pré-profesional como la categoría más frecuente en la muestra (32% del total). La revisión también indica un reciente crecimiento en el número de publicaciones sobre carrera y que estas comparten muchas características con los artículos sobre microcomportamiento organizacional en general. Sin embargo, en los estudios sobre carrera se detectó menos esfuerzo en la validación de instrumentos. Con base en estos resultados, se discute la inclusión de investigaciones sobre carrera en el campo mayor de microcomportamiento organizacional y como las orientaciones temporales (pasado, presente y futuro) se presentan en esta literatura. Por último, se propone una agenda de investigación sobre carrera en las organizaciones. Palabras-clave: Carrera; comportamiento organizacional; revisión de literatura. A literatura brasileira sobre psicologia organizacional e do trabalho (PO&T) e comportamento organizacional (CO) apresentou substancial crescimento na última década, incitando uma série de revisões sobre a mesma (Borges-Andrade & Pagotto, 2010; Campos, Duarte, Cezar, & Pereira, 2011; Tonetto, Amazarray, Koller, & Gomes, 2008). Além dessas revisões gerais de PO&T e CO, surgem também revisões de subtemas específicos como, por exemplo, cultura e mudança organizacional (Coelho Júnior & BorgesAndrade, 2004; Souza, Vasconcelos, & Borges-Andrade, 2009). Filiada à proposta de revisar subtemas e dar visibilidade a um assunto relevante e pouco explorado nas revisões sobre o microcomportamento organizacional, esta pesquisa visou analisar a produção acadêmica sobre carreira nas organizações em periódicos nacionais. No intuito de contextualizar tal empreendimento no âmbito de PO&T e CO, a seção seguinte retrata sucintamente estas áreas. Posteriormente, é discutida a inserção de estudos sobre carreira no campo do CO. A seguir, o método empregado na presente revisão e os resultados obtidos são descritos. Por fim, realiza-se uma síntese do estado da arte da literatura sobre carreira nas organizações e propõe-se uma agenda de investigação sobre o tópico. É possível conceber a PO&T por meio de três faces contíguas (Gondim, Borges-Andrade, & Bastos, 2010). A primeira (gestão de pessoas ou de recursos humanos) busca, por meio de práticas institucionais, a eficiência da produção organizacional e o estabelecimento de condições de trabalho apropriadas para os profissionais. A segunda (psicologia organizacional) surge da necessidade de compreender a relação do comportamento humano com a dinâmica organizacional. A terceira (psicologia do trabalho) qualifica o trabalho como fenômeno psicossocial que transcende à lógica organizacional, enfatizando questões como o sentido do trabalho e a saúde do trabalhador. Linhas de pesquisa da PO&T (especialmente aquelas vindas das duas últimas faces) estabeleceram laços com outras áreas de conhecimento, transbordando suas fronteiras iniciais. Assim, nas décadas de 1960 e 1970, ganhou corpo uma disciplina independente: o comportamento organizacional CO (Borges-Andrade & Pagotto, 2010; Siqueira, 2002). O CO é definido como uma área multidisciplinar que examina o comportamento dos indivíduos em ambientes organizacionais, além da estrutura e do comportamento das próprias organizações (Staw, 1984). Resulta da confluência de estudos advindos da psicologia industrial/organizacional, sociologia e administração (Schneider, 1985) e é atualmente concebido a partir de três níveis: micro-organizacional (individual), meso-organizacional (grupal) e macro-organizacional (cultura, estrutura e políticas organizacionais) (Robbins & Judge, 2008). Nas últimas décadas, o CO foi alvo de constantes revisões publicadas no Annual Review of Psychology, o que sinaliza sua vitalidade. As revisões abordavam enfoques/temas como tendências contemporâneas de gestão organizacional (Rousseau, 1997), afetos no trabalho (Brief & Weiss, 2002), pesquisas transculturais (Gelfand, Erez, & Aycan, 2007), cognição nas organizações (Hodgkinson & Healey, 2008) e atitudes no Resumen Carreira nas organizações: Revisão Rev. Psicol., Organ. Trab., jan-mar 2016, vol. 16 num 1 75 trabalho (Judge & Kammeyer-Mueller, 2012). A ampla gama de possibilidades de análise expressa a riqueza e o potencial da área. Ademais, a partir de 2014, esse periódico passou a dedicar edições exclusivas às áreas de psicologia organizacional e CO. Do ponto de vista do método, nota-se em PO&T e CO a primazia de surveys de corte transversal e de natureza quantitativa, com vasto uso de questionários. Nas técnicas de análise, prepondera a estatística inferencial. É visível certa tendência em sofisticar essas análises, com uso crescente de modelos de equações estruturais. A agenda de pesquisa internacional se encaminha para o emprego cada vez mais intenso de desenhos complexos, transculturais, multinível e/ou longitudinais (Judge & Kammeyer-Mueller, 2012). No contexto nacional, é possível traçar um quadro da literatura em PO&T e CO por meio de recentes revisões gerais dessas áreas. Tonetto et al. (2008), por exemplo, cobriram sete periódicos nacionais de psicologia no período de 2001 a 2005 e contabilizaram 178 artigos sobre PO&T. Os resultados indicaram que, entre os estudos teórico-empíricos, houve relativa proximidade entre a abordagem quantitativa e a qualitativa. As categorias temáticas mais frequentes foram: comportamento organizacional, cujo principal subtema foi comprometimento organizacional, avaliação e medidas. Revisando nove periódicos de psicologia e cinco de administração entre 1996 e 2009, Borges-Andrade e Pagotto (2010) encontraram 424 artigos empíricos de CO, micro e meso-organizacional. Identificaram um salto no número de publicações no início do século XXI no Brasil. Incluindo satisfação, emoções, prazer e sofrimento, a categoria afetos no trabalho foi aquela com maior número de artigos, seguida de aprendizagem no trabalho. Os autores assinalaram equilíbrio entre pesquisas quantitativas e qualitativas, também divididas quase igualmente entre os setores público e privado. As pesquisas foram majoritariamente conduzidas no segmento de serviços. Quanto sua finalidade, 82% almejavam a produção de conhecimento e 14% a formulação de instrumentos. Questionários/escalas (44%) e entrevistas (32%) são os instrumentos mais comuns. Em acréscimo, os periódicos de administração superam os da psicologia em número de artigos. Por seu turno, a revisão de Campos et al. (2011) inclinou-se sobre 116 artigos de PO&T publicados entre 1998 e 2009 no Brasil. Seus resultados também acusaram crescimento das publicações a partir dos anos 2000. Ao contrário de Borges-Andrade e Pagotto (2010), incluíram ainda artigos teóricos e focalizaram apenas em periódicos da psicologia. Nas categorias temáticas, trabalho e saúde (que engloba estudos sobre sofrimento psíquico, saúde do trabalhador e qualidade de vida) emerge como a categoria com maior proporção de artigos, seguida de significado do trabalho/subjetividade/imagem profissional. Quanto ao método, pesquisas qualitativas superam as pesquisas quantitativas. Tais discrepâncias entre essas duas revisões nacionais podem ser atribuídas ao fato de terem analisado amostras de distintos periódicos. Nessas três revisões nacionais, cabe frisar que nenhuma categoria temática logrou mais de 25% do corpus analisado, dados que sugerem que a produção brasileira é relativamente diversificada. Entre os temas abordados, afetos e atitudes no trabalho merecem realce, fenômeno que ocorre também em pesquisas estrangeiras (Judge & Kammeyer-Mueller, 2012). De outra parte, considerando as revisões citadas, a literatura nacional demonstra maior equilíbrio entre pesquisas quantitativas e qualitativas quando comparada à produção internacional. Considerando o exposto, como a temática da carreira se situa na literatura de PO&T e CO? Inicialmente, cabe salientar que o termo carreira aparece envolto em polissemia: pode se referir ao pertencimento a um grupo profissional, ao conjunto de atividades/realizações de um indivíduo no trabalho, ao padrão de posições e cargos oferecidos por uma organização, entre outras possibilidades. Neste artigo, a carreira é compreendida como sequência/padrão de experiências relacionadas ao trabalho no curso da vida de uma pessoa (Greenhaus, Callanan, & Godshalk, 1999). Pesquisas referentes à carreira constituem uma literatura rica que está, todavia, fragmentada em diversas disciplinas e agendas de investigação (Arthur, 2008; Gunz & Peiperl, 2007). Por exemplo, estudos mais atrelados à sociologia valorizam, além dos aspectos individuais, a influência da estrutura social e das instituições no desenrolar da carreira, além do papel social e do status de cada ocupação (Bendassolli, 2009; Gripp & Testi, 2012). Na interface entre educação e psicologia, a ênfase recai na perspectiva da orientação vocacional, incluindo as escolhas profissionais de jovens, os interesses, personalidades e aptidões vocacionais dos indivíduos, as intervenções e
Accelerating Research
Robert Robinson Avenue,
Oxford Science Park, Oxford
OX4 4GP, United Kingdom
Address
John Eccles HouseRobert Robinson Avenue,
Oxford Science Park, Oxford
OX4 4GP, United Kingdom