Burnout, clima de segurança e condições de trabalho em profissionais hospitalares
Author(s) -
Alexsandro Luiz De Andrade,
Thiago D. Moraes,
Antônio Marcos Tosoli Gomes,
João Wachelke
Publication year - 2015
Publication title -
revista psicologia organizações e trabalho
Language(s) - Portuguese
Resource type - Journals
ISSN - 1984-6657
DOI - 10.17652/rpot/2015.3.565
Subject(s) - psychology , humanities , art
De Andrade, Moraes, Tosoli & Wachelke 234 Rev. Psicol., Organ. Trab., jul-set 2015, vol. 15 num 3. , pp.233-245 Esta investigación presenta los resultados de un modelo teórico y empírico que articula aspectos del contexto de trabajo, del clima de seguridad y de las variables psicosociales del trabajo en un contexto hospitalario y sus consecuencias en la manifestación del síndrome de burnout. El Burnout es un trastorno relacionado con el trabajo asociado a lo estrés laboral grave. Este síndrome se caracteriza por el agotamiento emocional de los empleados y se establece por ciertas asociaciones entre las características individuales, ambientales y laborales. El objetivo de este estudio fue desarrollar y poner a prueba un modelo teórico-estructural relacionando variables dimensionales de trabajo, burnout y salud mental. Esta es una investigación con base en cuestionarios, cuya muestra, de carácter de conveniencia, contó con 200 profesionales de la salud, siendo 174 participantes del sexo femenino (87%), con edad media 34,4 años y un promedio de 6,5 años de carrera. El instrumento consistió en escalas psicológicas de los siguientes constructos: a) clima de seguridad, b) contexto de trabajo, c) burnout y d) aspectos socio-demográficos. Los resultados del estudio indicaron que existe una relación entre los diferentes aspectos del trabajo, la salud y el clima de seguridad a partir de dos modelos teóricos que integran las variables psicosociales, el clima de seguridad y salud para los trabajadores en un contexto hospitalario. Los datos actuales contribuyen a orientar las políticas para promover y proteger a salud de los profesionales como estrategia central para asegurar el cuidado de servicio en la rutina diaria del ambiente hospitalario. Palabras-clave: Burnout; hospital; condiciones de trabajo. O trabalho desenvolvido pelos profissionais da saúde no contexto hospitalar se apresenta como um fenômeno altamente complexo e de interesse antigo entre diversos pesquisadores (Bataile, 2014; Kovaleski & Bressan, 2012; Pitta, 1990). Um dos textos clássicos da área da saúde mental do trabalhador (Pitta, 1990), apesar de não abordar o burnout diretamente, expõe os fatores psicossociais de risco do contexto institucional hospitalar que se caracteriza como propício à geração de estresse, desgaste emocional, fadiga extrema e despersonalização. A exposição às situações de sofrimento, à sensação frequente de impotência diante de quadros variados de dor, ao processo de morte e de morrer de pessoas de diferentes idades e em condições múltiplas, à possibilidade de adoecimento por doenças graves no curso do processo laboral e à constatação pessoal da finitude humana gera, em seu conjunto, uma estrutura social, física, emocional e psíquica que favorece o desgaste humano de forma intensa (Bataile, 2014; Kovaleski & Bressan, 2012). Os interesses de pesquisas no tema mantêm-se, ao longo do tempo, em função das características peculiares e dos desafios emocionais, psicológicos, físicos, mentais e orgânicos que estão implicados na realização diária desse trabalho. Acrescenta-se aos fatos anteriores as longas jornadas de trabalho, que variam entre 8 e 24 horas sucessivas. Considerando-se que é comum, ao menos em alguns estados do Brasil, o acúmulo de empregos tanto na rede básica quanto nas unidades hospitalares (Fernandes, Miranzi, Iwamoto, Tavares, & Santos, 2012; Silva & Melo, 2006), pode-se compreender a ocorrência de um processo de sobreposição entre os turnos de trabalho, que leva os profissionais a um estado de vigilância e tensão por muitas horas e, às vezes, dias seguidos (Nogueira-Martins, 2003). Em outro conjunto de questões sobre o trabalho em contexto hospitalar, encontra-se uma díade ligada à gestão e à formação de recursos humanos, que é a falta de profissionais para a demanda enfrentada no dia a dia do trabalho e a capacitação para a realização das ações e implementações dos serviços em saúde (Nicolau, 2014). É nesse complexo contexto profissional que emergem sintomas de adoecimento profissional, entre os quais destaca-se o burnout como um dos transtornos frequentemente investigados. Burnout e o esgotamento emocional no trabalho O burnout é um transtorno relacionado ao trabalho associado ao estresse ocupacional severo (Tamayo & Tróccoli, 2009; Trigo, Teng, & Hallak, 2007). Caracteriza-se como um transtorno relacionado a atividades de prestação de serviço em interação com pessoas (Murofuse, Abranches, & Napoleão, 2005), razão pela qual vem sendo estudado com frequência em profissionais da saúde (Heeb & Haberey-Knuessi, 2014) e da educação (Andrade & Cardoso, 2012), embora haja estudos com trabalhadores das áreas mais diversas, como do setor bancário e da indústria de exploração florestal (Ahola, Salminen, Toppinen-Tanner, Koskinen, & Vaananen, 2014; Amigo, Asensio, Menendez, Redondo, & Ledesma, 2014). Esse transtorno se caracteriza pelo esgotamento emocional dos trabalhadores e é estabelecido por meio de determinadas associações entre características individuais, ambientais e do trabalho (Trigo et al., 2007), particularmente quando há discrepância entre as exigências do cargo e os recursos individuais disponíveis para atendê-las (Ahola et al., 2014). O transtorno se manifesta pela perda progressiva das expectativas, da satisfação Resumen Burnout, clima de segurança e condições de trabalho Rev. Psicol., Organ. Trab., jul-set 2015, vol. 15 num. 3 235 e do comprometimento no trabalho, associando-se à presença de um autoconceito negativo e atitudes desfavoráveis em relação ao trabalho e às pessoas do ambiente laboral, que inclui tanto os colegas de trabalho quanto os assistidos (Borgogni, Consiglio, Alessandri, & Schaufeli, 2012; Tamayo & Tróccoli, 2009). O burnout é descrito como a manifestação concomitante de três fatores principais: (a) exaustão emocional, variável que diz respeito à vivência de sentimentos de desesperança, solidão, depressão, raiva, impaciência, irritabilidade, tensão, diminuição de empatia, sensação de baixa energia, fraqueza, preocupação; (b) despersonalização, aspecto que corresponde a distanciamento afetivo, ceticismo ou cinismo em relação às pessoas com as quais se relaciona, vivenciados por meio de sensação de alienação em relação aos outros, sendo a sua presença muitas vezes desagradável e não desejada; e (c) realização profissional, variável que corresponde ao nível de percepção da eficácia profissional, ligada a valores profissionais de trabalho e satisfação com atividade ocupacional (Trigo et al., 2007). Na direção de aprimoramento do modelo teórico de burnout, Borgogni et al. (2012) introduzem uma nova dimensão sobre o transtorno, a de tensão interpessoal (interpesonal strain), relacionada ao desconforto e ao desengajamento com as pessoas do trabalho. Em um estudo com staff hospitalar na Itália, Consiglio (2014) verificou tal processo associado a diferentes níveis de relacionamento no trabalho, como, chefia, colegas e clientela. O instrumento utilizado com mais frequência para identificação do burnout é o Inventário de Burnout de Maslach (Maslach & Jackson, 1981; Thalhammer & Paulitsch, 2014), amplamente validado no mundo, inclusive no Brasil (Carlotto & Câmara, 2004; Lautert, 1995). Entretanto, em pesquisas brasileiras, utiliza-se também para avaliação do referido construto o instrumento denominado de Escala de Caracterização do Burnout (Tamayo & Tróccoli, 2009). Ambas as ferramentas apresentam indicadores favoráveis de validade e fidedignidade. Estudos realizados com profissionais de saúde em vários países sugerem correlações entre a atividade de enfermeiros, médicos e outros profissionais de hospitais e o burnout (Chou, Li, & Hu, 2014; Jasperse, Herst, & Dungey, 2014; Wisetborisut, Angkurawaranon, Jiraporncharoen, Uaphanthasath, & Wiwatanadate, 2014), embora nem todos estejam igualmente submetidos ao transtorno, a depender, entre outros, da distribuição desigual dos recursos disponíveis para a ação, mesmo em atividades com alta demanda profissional (Heeb & Haberey-Knuessi, 2014). No que tange aos aspectos preditivos do burnout, destacam-se fatores organizacionais (p. ex., jornada de turnos, metas), sociais (p. ex., relacionamento com chefia, suporte social) e individuais (p. ex., autoeficácia, estresse, experiência profissional) (Chou et al., 2014; Wisetborisut et al., 2014), além da personalidade resistente (hardiness) e o clima organizacional (Gershon et al., 2007). Clima de segurança, condições e contexto de trabalho e burnout Clima de trabalho como construto geral corresponde as dimensões psicológicas percebidas da organização de trabalho, incluindo avaliações cognitivas e afetivas dos indivíduos sobre diferentes elementos objetivos e subjetivos da organização, como a percepção sobre relação com a chefia, organização do trabalho, normas e procedimentos, satisfação com o trabalho, relacionamento interpessoal com colegas, justiça organizacional, entre outros (Puente-Palacios & Martins, 2013). Clima de segurança, por sua vez, é um conceito mais particular de clima organizacional, abordando os elementos cognitivos e afetivos, além do conjunto de percepções e práticas compartilhadas sobre o risco e a segurança no trabalho (Gershon et al., 2007; Zohar, 1980), sendo este um construto de bastante relevância para atividades ocupacionais onde ocorram exposições a diferentes agentes de risco, como instituições hospitalares, construção civil, entre outros. De acordo com Cohen, Smith e Cohen (1975) e Díaz e Cabrera (1997), o clima de segurança positivo associa-se a ações de investimento em segurança no trabalho, predizendo resultados mais positivos em termos desse conceito. Clima negativo, por sua vez, relaciona-se com condutas inapropriadas de segurança, podendo contribuir para a exposição profissional a situações de intensificação do risco e a acidentes no contexto de trabalho. Em organizações hospitalares, o questionário de clima de segurança desenvolvido por Gershon et al. (2000) vem sendo utilizado e
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