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Reflexões psicanalíticas sobre a resistência à mudança organizacional
Author(s) -
Giovanna Garrido,
Patrícia Saltorato,
Carlos Augusto Amara Moreira
Publication year - 2015
Publication title -
revista psicologia organizações e trabalho
Language(s) - Portuguese
Resource type - Journals
ISSN - 1984-6657
DOI - 10.17652/rpot/2015.2.496
Subject(s) - reflex , political science , sociology , psychology , neuroscience
Resistência à mudança: reflexões psicanalíticas Rev. Psicol., Organ. Trab., abr-jun 2015, vol. 15 num. 2 213 Este artículo pretende discutir la resistencia al cambio en tanto un fenómeno no racional. Con el objetivo de reflexionar sobre el tema desde un enfoque diferenciado, se trató de analizar de qué manera el inconsciente humano hace que los gestores adopten posiciones reaccionarias al cambio organizacional aunque este sea imprescindible para la supervivencia de las organizaciones. Basándose en una investigación bibliográfica de orientación psicoanalítica y sociológica, el presente artículo parte de la hipótesis de que es posible considerar el comportamiento resistente de los gestores como reflejo externo de luchas internas que ocurren en estos individuos. Las investigaciones realizadas mostraron evidencias en favor de esta hipótesis. Gran parte del comportamiento de los gestores es resultado de angustias interiorizadas y reprimidas, que van desde el temor de la aniquilación hasta formas de pensamiento que simbolizan su núcleo de identidad. Los resultados señalan la superficialidad de los enfoques predominantes acerca del tema y promueven la apertura de caminos hacia nuevos estudios que podrán ser realizados. Palabras-clave: Gestores; comportamiento; resistencia; psicoanálisis. Muitas são as discussões na sociedade referentes à relação existente entre a necessidade da mudança e o comportamento resistente das pessoas. Porém, esses debates baseiam-se excessivamente na racionalidade e, na busca pela compreensão do tema, é dado maior valor aos pressupostos que o norteiam do que às reações emocionais que fazem os indivíduos adotarem tal comportamento. Ao tratar desse tema, busca-se encontrar explicações por uma visão estreita, não considerando que a organização, composta por indivíduos, é um sistema complexo. Nessa visão, cujo foco analítico é o comportamento diretamente observável, os sujeitos são vistos como lógicos e racionais. Além disso, a maioria das abordagens acerca da resistência está relacionada à figura do empregado da organização. Contudo, nota-se a relevância de outro enfoque, pois existem situações em que as empresas convivem com a necessidade da mudança, porém não a executam devido ao comportamento resistente de seus gestores. De qualquer forma, as análises sobre o tema não dispensam muita importância ao interior do sujeito, repleto de expectativas, de medos e de ansiedades. Porém, é impossível compreender o comportamento dos indivíduos no contexto da mudança organizacional sem observar o processo por meio do qual eles interpretam e constroem significados para eventos nos quais estão envolvidos. Ou seja, a análise da personalidade do sujeito e de seus processos inconscientes é imprescindível para compreender o comportamento resistente. Nesse contexto, fundamentado no estudo da resistência dos gestores à mudança e com auxílio de algumas abordagens psicanalíticas da metáfora das prisões psíquicas de Morgan (2007), este artigo reflete sobre o tema com o propósito de encorajar as pessoas a desafiar os paradigmas que sustentam essas discussões. Assim, o objetivo geral é analisar a maneira como forças inconscientes podem fazer os gestores adotarem comportamentos resistentes à mudança organizacional, mesmo ela sendo imprescindível para a sobrevivência. Como observado, a figura do gestor é o objeto de aporia deste estudo e todas as argumentações estruturadas visam estabelecer até que ponto é possível entender a resistência deles à mudança como reflexo externo de suas lutas internas. A problemática do artigo parte da premissa de que a vida organizacional é constituída por muitas dimensões inconscientes. Dessa forma, diversos fenômenos possuem explicações de âmbito não racional. Em uma organização, forças psíquicas agem em dimensões ocultas no comportamento dos gestores e os fazem resistentes às mudanças que alteram sua maneira habitual de encarar a realidade. Portanto, para entendermos esse comportamento, é preciso entender primeiro o “outro” que existe dentro do gestor. Desse modo, o artigo está estruturado da seguinte forma: primeiro, será demonstrada a forma como o estudo foi conduzido; depois, será apresentado o referencial teórico, subdividido em três tópicos principais. Primeiro, é feita uma discussão introdutória da mudança organizacional, buscando relacioná-la com a sobrevivência das organizações. Em seguida, são analisados os principais pontos da resistência à mudança, visando explicitar sua proximidade com a mudança organizacional e apresentar alguns argumentos críticos referentes aos pressupostos acerca do tema, de forma a direcionar o artigo à análise pretendida nesse momento. O terceiro tópico traz a discussão central, analisando o comportamento resistente dos gestores a partir da psicanálise. Nessa parte, é abordada a relação estabelecida entre o indivíduo e a organização e de que forma o seu significado oculto, junto ao inconsciente humano, pode suscitar comportamentos conservadores nos gestores. Por fim, apresentam-se as conclusões alcançadas no estudo. Resumen Garrido, Saltorato & Moreira 214 Rev. Psicol., Organ. Trab., abr-jun 2015, vol. 15 num 2., pp. 212-223 MÉTODO O estudo foi realizado por meio de uma abordagem qualitativa, visando abordar o objeto da pesquisa sem a preocupação de medição ou quantificação dos dados obtidos. Em relação à classificação do estudo, foi estabelecida como base a taxionomia de Vergara (2009). Quanto aos fins, a pesquisa foi exploratória e explicativa. Exploratória, pois, embora o tema em questão seja bastante antigo e já difundido na realidade empresarial, não se verificou a existência de muitos estudos que o abordem com o ponto de vista proposto neste artigo, restrito ao comportamento resistente dos gestores agentes de mudanças. Explicativa, pois visa esclarecer, por meio de abordagens psicanalíticas, os fatores que podem contribuir para a postura resistente desses indivíduos ao se depararem com a necessidade de promoverem mudanças. Quanto aos meios, o estudo foi bibliográfico, sustentado por referenciais teóricos acessíveis ao público em geral. Assim, com o auxílio de algumas abordagens teóricas, foram investigados os méritos conceituais de alguns assuntos e a forma como se relacionam: mudança organizacional, resistência à mudança e alguns aspectos psicanalíticos condizentes ao tema, em especial aqueles relacionados à metáfora das prisões psíquicas. Mudança Organizacional Historicamente, identificam-se dois períodos no desenvolvimento dos estudos organizacionais que incidem diretamente no tema da mudança organizacional. Até 1950, os estudiosos se concentravam na figura do gerente, considerado agente único promotor de mudanças. Nessa época, as organizações eram concebidas como sistemas fechados, ou seja, subestimavam-se as influências do ambiente externo. Robbins, Judge e Sobral (2010) complementam que a mudança organizacional ocorria esporadicamente, sendo considerada um distúrbio ocasional em um mundo pacífico e previsível. Entretanto, após 1950, com a teoria dos sistemas e da contingência, e diante da crescente incerteza ambiental, admitiu-se que o ambiente influenciava no funcionamento organizacional. Por volta de 1970, consolidou-se o reconhecimento de que existem situações aleatórias, advindas do ambiente externo, que fogem ao controle e à influência dos dirigentes (Dias, 2008). Segundo Robbins et al. (2010), diante da mudança no cenário, a estabilidade e a previsibilidade caracterizadas na abordagem episódica tornaram-se obsoletas. Nesse novo contexto, o processo de adaptação organizacional deve ser sensitivo e dinâmico. A flexibilidade tornou-se desesperadamente necessária, consistindo em uma das molas da imortalidade empresarial (Freitas, 1999). Neri (2005) afirma que essa realidade vem alimentando o assunto da mudança organizacional a cada dia, tornando-o um monstro mitológico que só pode ser combatido com as inovações geradas por ele. Diante disso, as questões ligadas à sobrevivência empresarial tornam-se assustadoramente reais, pois todo o sistema está sujeito à entropia, um processo de deterioração e destruição dele mesmo (Spector, 2002). Assim, para deter esse processo, manter a homeostase e sobreviver, a organização precisa importar energia do ambiente e estar apta a promover mudanças. Portanto, a sensibilidade é imprescindível para as empresas. Segundo Thiry-Cherques (1995), o que acontece com as organizações é uma fiel imagem da seleção natural. O alcance do sucesso e da sobrevivência organizacional exige uma luta constante contra o passado e contra o obsoletismo de suas maneiras de pensar e agir (Motta, 1998). Entretanto, Motta (1998) enfatiza que a promoção da mudança não dispensa as interpretações e as experiências individuais. Qualquer interpretação das representações ambientais é feita por meio da percepção individual do gestor. Agir a favor ou contra a mudança é uma questão de posicionamento pessoal. Desse modo, pode-se dizer que a mudança não é promovida simplesmente por decreto das forças ambientais. Uma transformação organizacional é o reflexo dos desejos autênticos de seus gestores e da forma como encaram a realidade que os cerca. Assim, qualquer comportamento adotado por eles provém do âmbito pessoal. Afinal, todos os processos decisórios são orientados segundo o próprio bem-estar daqueles que gerem as organizações (Freitas, 1999). Resistência à Mudança Nota-se que as organizações travam uma luta sem tréguas para a sobrevivência. Todavia, é evidente a resistência que ainda persiste na aceitação de que elas se deparam com um ambiente selecionador que exige sensibilidade, dinamismo e adaptação e que a mudança não é só fundamental, mas imprescindível. Resistência à mudança: reflexões psicanalíticas Rev. Psicol., Organ. Trab., abr-jun 2015, vol. 15 num. 2 215 Segundo Motta (1998), existem pessoas que ainda não se conscientizaram e olham as mudanças apenas como variações das práticas passadas, cujo impacto é pequeno. O autor ressalta

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