Evolução holocênica das encostas da bacia do riacho Bruscas, Nordeste do Brasil
Geography Department University Of Sao PauloPeer ReviewedRodrigo de Freitas Amorim +32020Journals
Localizada na Província Geológica da Borborema, a bacia do Riacho Bruscas constitui importante amostra do contexto geomorfológico e geológico do setor oriental do Nordeste do Brasil, onde a morfogênese e suas implicações paleoclimáticas são particularmente distintas daquelas que afetam áreas do sul e sudeste do país. O presente trabalho tem como objetivo analisar encostas com coberturas coluviais da bacia do Riacho Bruscas, tomando como base as características dos sedimentos, sua cronologia absoluta (LOE), geometria, estrutura e arranjo estratigráfico. Apesar de fragmentários, disjuntos espacialmente, e originários de intensidades distintas, esses materiais podem fornecer informações importantes sobre a dinâmica geomorfológica que, em última instância, reflete a ação dos componentes paleoambientais sobre a organização das unidades agradacionais do relevo. Os resultados foram agrupados em função dos dados coletados em quatros setores distintos da bacia, onde ocorrem depósitos coluviais, de forma a abranger todos os contextos morfológicos que, na área, resultaram na acumulação de sedimentos de encosta. Os depósitos estudados apresentaram-se confinados em intervalo de tempo que alcança desde o limiar Pleistoceno/Holoceno até a Pequena Idade do Gelo. Contudo, enquanto os depósitos resultantes da reumidificação geral observada ao final do Pleistoceno são ubíquos nas demais áreas do Nordeste semiárido, os depósitos do Holoceno médio e superior apontam para ocorrências mais localizadas, provavelmente relacionadas à ação de eventos pluviais orograficamente condicionados, mais intensos sobre o maciço da Serra da Baixa Verde e outros setores elevados do Planalto da Borborema.
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