As Drogas e as Psicoses: sobre a constituição do delírio e as toxicomanias
Author(s) -
Carlos Eduardo de A. S. Ramos
Publication year - 2010
Publication title -
revista vernáculo
Language(s) - Portuguese
Resource type - Journals
eISSN - 2317-4021
pISSN - 1677-0196
DOI - 10.5380/rv.v1i6/7.18490
Subject(s) - philosophy , humanities
A principal questão levantada no presente trabalho surgiu diante da seguinte situação: num estágio voluntário dentro de um hospital psiqui átrico. onde passei 6 meses permanecendo 12 horas semanais, ti ve a oportunidade de estabelecer um bom contato com alguns pacientes. De ntre eles havia E.: uma mulher que provavelmente tinha mais de 50 anos de idade, usuária do Sistema Único de Saúde, tratando-se na unidade de hospital dia. Não cabe aqui um estudo de caso, até por que o estágio não possibilitava acesso a histórico médico ou quaisquer registras, e a informação que tinha dessa paciente era some nte essa, além das que provinham da sua fala (no caso desse trabalho, talvez a melhor possível). Era uma pessoa re li giosa. Certo dia, durante uma con versa, ela começou a fal ar sobre como Deus tinha iluminado sua vida, e como isso era valoroso e importante para ela. De certa forma ela sempre referia-se a esses aspectos, mas neste di a ela começou a falar sobre como essas experiências tinham acontecido na sua infância, o que para mim era algo completamente novo. Então: sua primeira iluminação teria acontecido quando ainda era bem nova, ajudava seu pai nos afazeres, inclusive na manutenção de um campo de bocha, onde nos finai s de semana os amigos de seu pai se encontra vam para jogar. Relutou-me que de no ite, quando iam arrumar o campo de bocha, havia uma coruja que fi cava rondando por ali . Essa coruja lhe d izia: Luz ! Luz !. .. Luz!. Não sabia ela porque a coruja dizia isso, mas descobriu pouco tempo depois que não era somente uma coruja, era uma espécie de bola de bocha viva que se desviava não deixa ndo que nenhuma outra a acertasse. E nisso consistia sua grande iluminação que, na sua fala, modificou lodo o curso de sua vida. Bem, digamos que no que dizia respeito a mim, ali naquela situação, puxei a conversa para que ela me explicasse, me contasse o que linha aco ntecido. Sentia que era algo importante para tal pessoa, talvez pela exp ress ividade não some nte de seus olhos e gestos, mas também ao perceber uma certa agitação quando começou a me contar mais detalhadanlCnte (chegou a se levantar num dado momento de sua fala, gesticulando bastante). No entanto, al go surge para mim C0l110 questão, pois não estava muito seguro do que eu estava fazendo ao me interessar. Dito isso, a questão que se me levanta ser ia: o que eu estava ' fazendo' ali? O que houve quando essa mulher me
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