As ocupações de escolas públicas em São Paulo (2015-2016): entre a posse e o direito à manifestação
Author(s) -
Bianca Tavolari,
Marília Rolemberg Lessa,
Jonas Medeiros,
Adriano Januário,
Rúrion Melo
Publication year - 2018
Publication title -
novos estudos - cebrap
Language(s) - Portuguese
Resource type - Journals
eISSN - 1980-5403
pISSN - 0101-3300
DOI - 10.25091/s01013300201800020007
Subject(s) - philosophy
Entre o final de 2015 e o início de 2016, centenas de escolas públicas foram ocupadas no estado de São Paulo, pelos próprios estudantes, primeiramente contra a decisão do governo estadual de realocar alunos e fechar escolas e, em seguida, em torno da merenda escolar. Junto com outros movimentos massivos de ocupação de escolas em ao menos oito outros estados, este ciclo de ocupações ficou conhecido como “primavera secundarista”. Os protestos dos estudantes estavam muito longe de tematizar, diretamente, questões jurídicas de posse e propriedade. Antes disso, era uma política educacional específica que estava em jogo nas mobilizações e discursos dos secundaristas. O mote “a escola é nossa” expressava mais uma apropriação social e coletiva de um bem, entendido como comum, do que a relação de proprietário individual que pode usar e dispor do que é seu. E, no entanto, esse conflito foi levado ao judiciário sob a chave da discussão jurídica sobre posse. Isso porque uma das principais táticas utilizadas pelo movimento secundarista foi a ocupação de escolas públicas, que, do ponto de vista do direito brasileiro, são bens de propriedade do Estado. As ocupações motivaram pedidos de reinte-
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