A EPISIOTOMIA COMO PRÁTICA ROTINEIRA NA ATENÇÃO AO PARTO E NASCIMENTO
Author(s) -
Jônatas Ferreira de Sá,
Isaac Daniel França Corado,
Larissa Tsukuda,
Letícia Costa Coêlho,
Taiza de Oliveira Zago,
Renata Campos de Pieri,
Vitor Ricobello Tavares
Publication year - 2019
Publication title -
archives of health investigation
Language(s) - Portuguese
Resource type - Book series
DOI - 10.22533/at.ed.06519030918
Subject(s) - medicine
Ainda que a Organizacao Mundial da Saude (OMS) em suas diretrizes enfatize por boas praticas de atencao baseadas em evidencias cientificas e que o parto e um evento natural que nao necessita de controle, mas de cuidados, o modelo de atencao ao parto vaginal no Brasil, de forma geral, tem como protagonista o medico em ambiente hospitalar e, neste modelo, o processo de parto e nascimento e frequentemente acompanhado do emprego de diversas intervencoes. O objetivo deste trabalho foi discutir o uso da episiotomia no Brasil por meio da observacao de sua disseminacao, indicacoes e beneficios alem das possiveis complicacoes, organizando-se na forma de ensaio academico. A episiotomia e definida como uma incisao cirurgica no perineo, utilizada no periodo expulsivo do trabalho de parto com objetivo de ampliar a dimensao da vagina, seu uso visa a reducao da probabilidade de laceracoes perineais de 3o grau. No entanto, pode causar complicacoes como a extensao do corte com lesao de esfincter anal e retal, resultados anatomicos nao satisfatorios como pregas cutâneas, assimetria, estreitamento excessivo do introito, prolapso vaginal, fistula reto-vaginal, fistula anal, hemorragia, hematomas, edema, dor, infeccao e disfuncao sexual. O procedimento e muitas vezes realizado sem o consentimento da paciente, sem informar sobre possiveis indicacoes, beneficios e complicacoes, o que alem das implicacoes cirurgicas envolvidas na decisao, desrespeita o papel da mulher enquanto atuante no processo de escolha. Seu uso pode ser considerado em situacoes onde os beneficios superam os riscos tais como: distocia de ombro, parto pelvico, forceps ou extracoes a vacuo, variedades de posicoes posteriores ou em situacoes onde seja obvio que sua nao realizacao resultara em trauma perineal maior. A taxa de realizacao recomendada pela OMS e de 10% a 15%, na atualidade esses numeros variam em todo o mundo e vao de 9,7% na Suecia a 96,2% no Equador, no Brasil a taxa media de realizacao e de 90% dos partos vaginais, e apenas alguns centros de referencia de parto exibem taxas menores, em torno de 30%. As novas evidencias e diretrizes mundiais prezam pela decisao compartilhada e a indicacao seletiva como pontos-chave na atuacao multidisciplinar da equipe obstetrica, visando melhor puerperio e recuperacao da parturiente. Sao necessarios mais estudos, difusao e sedimentacao dessas novas diretrizes de indicacao individualizada, para racionalizar seu uso, diminuir as intervencoes obstetricas desnecessarias, complicacoes no puerperio e iatrogenia. Descritores: Episiotomia; Puerperio; Atencao ao Parto; Ensaio.
Accelerating Research
Robert Robinson Avenue,
Oxford Science Park, Oxford
OX4 4GP, United Kingdom
Address
John Eccles HouseRobert Robinson Avenue,
Oxford Science Park, Oxford
OX4 4GP, United Kingdom