COMO DAVI KOPENAWA, SENDO UM CONTADOR DE HISTÓRIAS, DÁ CONSELHOS, OU SENÃO, ENSINA A ARTE DE NARRAR A WALTER BENJAMIN?
Author(s) -
Brena Suelen Siqueira Moura
Publication year - 2022
Publication title -
téssera
Language(s) - Portuguese
Resource type - Journals
ISSN - 2595-8925
DOI - 10.14393/tes-v4n1-2021-63557
Subject(s) - humanities , art , political science
Davi Kopenawa, um xamã e porta-voz Yanomami contemporâneo, acredita que, se os brancos, que vivem em um mundo ignorante, conseguirem ouvir suas palavras, talvez, possam ajudar uns aos outros a evitar ou, ainda que seja, adiar a queda do céu. Walter Benjamin afirma que a arte de narrar está em vias de extinção no ensaio O Contador de Histórias de 1936. Para Benjamin, a arte de narrar desfaleceu na medida em que se deu o período moderno em uma analogia com a consolidação do capitalismo. Nada mais justo evocar o provérbio Se conselho fosse bom, ninguém dava, vendia. Porém, Davi Kopenawa parece ir contra a tal ordem capitalista ao propor outra visão de mundo com suas narrativas cosmogônicas. Nesse sentido, este artigo pretende confrontar a figura do contador de histórias indígena ao contador de histórias moderno, proposto por Benjamin considerando não somente a arte de narrar, como também, de dar conselhos. Indo além, proponho uma reflexão sobre as palavras de Davi Kopenawa ao lançar a seguinte proposição: como Davi Kopenawa, sendo um contador de histórias, dá conselhos, ou senão, ensina a arte de narrar a Walter Benjamin? Para tal, este artigo fará uma articulação entre a textualidade indígena Yanomami e o ensaio benjaminiano para a construção de uma Teoria Literária Ameríndia como um convite para a escuta imaginativa de outros mundos possíveis.
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